BLOG DO PROFESSOR EUGÊNIO


DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA - CASO REAL

  

JOÃO: NEGRO E CIDADÃO


João é um garoto muito, muito especial. Especial fisicamente, psicologicamente, mas especial mesmo ele é para a família, para os amigos, para os que conhecem a sua essência: um menino bom, dócil, de olhar curioso, musical, filho amoroso, parceiro, amigo de todos e feliz.

Por ser tão especial, João também não mente. Nem mesmo aquelas “mentiras sociais”, tão comuns para muitos adultos, João consegue dizer...

João relata o seguinte: na segunda-feira, dia 11 de novembro de 2013, ao final da tarde, com o sol ainda cumprindo o seu papel, saiu de casa a pedido da irmã, portando uma nota de R$50,00, para comprar refrigerante na “venda” da esquina. Ele saiu de casa, como sempre faz, bem vestido e, com o medo normal que as crianças têm de perderem dinheiro, colocou toda a nota na palma da mão, serrou o punho e se dirigiu ao seu destino.

Após percorrer trinta metros de sua residência, João foi abordado por um policial, que desceu da viatura dizendo “não jogue fora. O que você está carregando?”. João, assustado, levantou os braços, disse que era dinheiro para comprar um refrigerante. O policial, após verificar que se tratava de dinheiro, perguntou se ele não estava “carregando” mais nada, no que João respondeu negativamente. Mesmo assim, considerado naquele momento como um provável delinquente, João recebeu a “batida”, sendo revistado como se fosse um suspeito, um marginal.

O policial não perguntou ao João, por exemplo, quem eram seus pais, se ele estudava e, claro, muito menos se desculpou por sua infeliz abordagem... Uma abordagem a uma criança, com o dia claro, nas proximidades de sua residência...

João é meu filho, “o meu garoto”, “o meu João”. E está assustado. O menino que sempre gostou de brincar de policial, de criar esquetes como se fosse guarda de trânsito ou bombeiro, está com medo da polícia!

Ele é menor e a sua identificação completa não é J.V.R.G! Ele é João Victor Ribeiro Gomes! Devidamente registrado no cartório de registro civil, portador de carteira de identidade, de CPF e de passaporte.

João estuda em uma das melhores escolas particulares da região de Caratinga. Por conta de sua especialidade, ele paga aulas particulares, todos os dias, para poder acompanhar o intenso e necessário ritmo do curso. E tem dado conta.

 João gosta de ler. Ele está muito acima da média brasileira em relação ao índice de leitura. Para alegria deste simples escritor, ele é um devorador de livros... Não apenas livros: lê tudo o que encontra pela frente. Quando lhe faltam livros, revistas ou o jornal do qual é assinante, lê rótulos de conservas, bulas de remédios... O resultado é uma escrita correta, um olhar crítico para os erros de redação e uma capacidade, incrível, para guardar nomes, placas, datas...

Após ouvir todo o relato de João sobre a ocorrência que o assustou, lhe perguntei o que ele achava de tudo aquilo e ele me disse que o policial estava certo porque pensou que ele era um delinquente. Insisti e lhe perguntei por que será que o policial achou que ele era delinquente e a resposta dele foi: “ora pai, deve ser porque sou negro”.

Pois é, João tem uma característica que, infelizmente, desagrada a uma parte da nossa população que ainda ostenta o pior tipo de preconceito: João é negro!

Não quero aqui julgar ou crucificar o policial. Nem me interessa registrar o seu nome, tão bem observado pelos atentos olhos do garoto, até porque, já expus o assunto ao, sempre, educado Capitão Franco. Talvez, a atitude, aparentemente preconceituosa, do policial, tenha acontecido de forma involuntária e ele nem seja, de fato, preconceituoso. Aliás, não conheço o policial, não sei a cor da sua pele, mas acredito que ele, também, tenha seus sonhos, seus medos, seus objetivos e, talvez, até tenha filhos. Por certo ele, até, acredite que tenha feito a abordagem correta a uma criança, naquele horário e local. É possível mesmo que acredite nisso, senão já teria procurado a família, conversado com o João, ter tido a oportunidade de conhecê-lo e tentar tirar a péssima imagem que conseguiu incutir em uma criança da instituição denominada Polícia Militar.

Mas, como pai, como cidadão, pagador de impostos, não posso deixar de questionar: se o João fosse branco, de cabelos louros e olhos azuis, seria abordado daquela maneira?

Se a resposta for sim, também deverei mudar os meus conceitos sobre a nossa gloriosa Polícia Militar, instituição pela qual, ainda, tenho o maior respeito, sendo portador, inclusive, do Diploma de Amigo da Policia Militar de Minas Gerais. É que, neste caso, estaríamos presenciando o desrespeito ao ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente por aquele que tem a obrigação de fazê-lo ser respeitado.

Se a resposta for não, o policial está devendo uma retratação ao João. E não apenas porque ele é meu filho, porque usufrui de uma boa vida social e familiar ou porque é uma criança muito bem criada, de boa conduta, boa índole e religioso.

João merece uma retratação porque ele é CIDADÃO! Pleno de direitos já que é cumpridor de seus deveres.

 Quando João tinha três anos de idade, por duas vezes, ao se desprender da mão de quem o acompanhava e se dirigir a outrem, na sua necessidade de tocar as pessoas, de se relacionar com elas, ouviu frases do tipo “Sai pra lá moleque, não tenho nada pra te dar não”...

Neste período passei a ensinar o João a não se aproximar de pessoas desconhecidas, a não tocá-las. Infelizmente, tive que reforçar os ensinamentos com a informação de que, algumas pessoas, menos esclarecidas, associam a cor das pessoas à situação de mendicância... 

Aos dez anos de idade, quando estávamos em um bom restaurante na cidade do Rio de Janeiro, João perguntou se podia se servir de ovos de codorna no buffet. Autorizado por mim, ao pegar o prato e se dirigir para a bancada de frios, foi convidado pela atendente a se retirar do restaurante com a frase “Como você entrou moleque? Vou chamar a polícia pra você. Deixe este prato ai e “rapa fora!”

Neste período, passei a ensinar ao João que, infelizmente, algumas pessoas menos esclarecidas, associam a cor das pessoas ao direito de frequentar determinados lugares como lojas e restaurantes...

Agora, me vejo nesta infeliz condição de ter de ensiná-lo a tomar alguns cuidados, já que Negro andando pela rua, com a mão fechada, mesmo sendo de dia e nas proximidades de casa, corre o risco de ser abordado como se fosse um marginal...

Minha preocupação maior: e os outros “Joãos”, sem a estrutura do “meu garoto”, também crianças, sem vez e sem voz, o que tem sido feito a eles?

Por um lado, estou triste. Indignado. Esforçando-me para não desistir do ser humano! Por outro, porém, ainda tenho uma ponta, embora tênue, confesso, de esperança...

O sonho de ver todos os brasileiros reconhecendo, finalmente, que somos um país mestiço, plural, multiétnico!

O sonho de ver todos os brasileiros reconhecendo, finalmente, que a cor da pele não expressa os valores da alma de uma pessoa! Que a bondade, a maldade, a honestidade e a delinquência, não sofrem influência da melanina... Pois se assim fosse, as elites corruptas dos elevados extratos sociais da república, não estariam tão carcomidas pela usura, pela arrogância, pelo desrespeito à ética e à moral, já que a maioria delas, ostenta madeixas louras, e íris claras...

 

Esperança de que um dia, o sonho, o sonho tão bem expressado por Martin Luther King, há cinquenta anos, se concretize no nosso país, deixando então de ser um sonho e transformando-se em realidade: ver as pessoas serem julgadas por seu caráter, por sua hombridade e por sua bondade... Não pela cor de sua pele!

 

 



Escrito por Prof. Eugênio às 19h20
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ENFIM, A OBRA

         ENFIM, A OBRA

 

Há dois anos, o MAC – Movimento Amigos de Caratinga – iniciou uma campanha, junto à comunidade, com vistas à construção de uma capela velório em Caratinga. Uma necessidade percebida pela população há muitos anos, nascida com a própria cidade, em 1848.

Como bem já discorremos em vários artigos e crônicas publicadas aqui, no Jornal Dário de Caratinga, a ausência de um espaço próprio, adequado, para as pessoas velarem seus entes queridos, em um difícil momento de suas vidas, tem sido vergonhoso para uma cidade que, pelo menos aparentemente, lidera uma região inteira. 

            O MAC empunhou a bandeira de um assunto que já havia sido aventado, também, por padres Sacramentinos e Carmelitas - os quais cedem espaços, hoje, para velórios na cidade – e por vereadores, a exemplo do vereador João Roberto Leodoro, o Mestre. Incursões importantes, mas que, infelizmente, não conseguiram êxito, por pura falta de vontade política dos que detinham o poder da caneta.

            Foram muitas reuniões, muitos encontros... O apoio, total, da imprensa, do Padre Vittorio Baggi e do Centro Universitário de Caratinga, no primeiro momento, foram fundamentais. O projeto antigo foi desengavetado e atualizado com modificações, a capela velório ganhou nome – Capela Velório Comunitária da Paz - a cessão do terreno foi concretizada e a campanha ganhou as páginas dos jornais, as telas das TVs e as ondas das rádios...

            A população contribuiu com o suficiente para a limpeza e o cercamento do terreno, os vereadores – liderados pelo então presidente da Câmara Municipal, o Vereador Mestre – contribuíram com R$100.000,00 e o Deputado Estadual, Adalclever Lopes, destinou cerca de R$400.000,00, através de emenda parlamentar, para a sua construção.

            A verba, cedida pela Câmara Municipal, segundo informações, não foi depositada em uma conta específica para a construção da capela, mas se encontra à disposição na conta geral do município de Caratinga. Já a verba destinada para a construção, obtida através da emenda parlamentar do Deputado, também a pedido do MAC, encontra-se parcialmente à disposição do município e, o restante, será creditado na medida em que a obra seja executada...

            E, assim, assistimos esta semana, ao início da construção da tão sonhada Capela Velório Comunitária da Paz de Caratinga. Em aproximadamente seis meses, as obras estarão encerradas, e a cidade terá um lugar destinado, exclusivamente, aos velórios de seus munícipes.

            Todos nós, membros do MAC e outros tantos membros da sociedade, ouvimos comentários, por exemplo, de que o dinheiro deveria ser empregado em outras instituições, em outras obras...

            Estamos cônscios de que a cidade precisa, também, de muitas outras obras. Em momento algum, desmerecemos a importância de qualquer instituição. Sabemos das necessidades por que passam outras áreas e entidades sociais. Ocorre que a inexistência da capela velório reflete uma enorme falta de respeito para com os sentimentos da população. Não esqueçamos que a falta de respeito aos mortos, que na verdade se traduz na falta de respeito aos familiares do morto, é um bem jurídico tutelado pelo Direito Penal, constituindo mesmo, modalidade criminosa de conduta. Além disso, a ausência de um local apropriado para o velório traduz-se, também, numa questão de saúde pública!

            No final do ano passado, o MAC recebeu o convite da Prefeitura Municipal de Caratinga, para participar do lançamento da Pedra Fundamental da construção da capela. Por questões que desconhecemos, o lançamento não foi realizado, mas o Movimento sentiu-se prestigiado, inclusive, porque, naquela época, o prefeito fez questão de dizer que iria colocar a sigla do MAC na placa comemorativa, refletindo o reconhecimento por parte daquela autoridade da importância da participação do MAC na efetivação do projeto.

            Agora, as obras tiveram início e, o MAC não foi convidado para o seu “pontapé” inicial... Todavia está feliz, satisfeito em ver que o seu esforço, apoiado pela população, pela imprensa, por instituições diversas, pela Igreja e por políticos comprometidos com as causas sociais, valeu à pena.

 

            Seja bem-vinda Capela Velório Comunitária da Paz, por mais triste que seja a sua, necessária, utilização. 



Escrito por Prof. Eugênio às 16h41
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A CARAPUÇA DEIXADA POR FRANCISCO

          A CARAPUÇA DEIXADA POR FRANCISCO


Confesso que relutei em falar sobre o Papa Francisco, nesta coluna. Por mais que a mão “coçasse”, e a cabeça fervilhasse de ideias, achava que estaria fazendo “chover no molhado” ao abordar a importância de sua visita ao Brasil, na Jornada Mundial da Juventude, realizada no Rio de Janeiro, no final do mês de julho, assunto por demais comentado nos últimos dias.

            E foi recordando a minha participação nesse momento, da presença à porta do Hospital da Venerável Ordem Terceira da Penitência, quando vi o Papa há poucos metros de distância, acenando, através do vidro traseiro do veículo, às muitas horas em frente à televisão, assistindo às suas missas, homilias, pronunciamentos e entrevistas, que decidi falar sobre algo que me tocou, profundamente, nessa sua peregrinação entre nós: a sua eficaz comunicação.

            No processo de comunicação, utilizam-se dos mais diversos meios para transmitir-se uma mensagem... As pessoas, também, comunicam-se de várias formas, seja através da escrita, da oratória e do vestuário, seja através dos gestos, dos símbolos e, até, do cheiro.

            E a comunicação de Francisco foi muito bem feita, clara, objetiva e direcionada. A carapuça se adequou a todos: leigos, clérigos, empresários, políticos, comunicadores... Homens e mulheres, católicos e não católicos, jovens e idosos, graduados e não graduados, ricos e pobres, brancos, negros, amarelos...

            Senão, vejamos.

            O FIAT IDEA – Não podemos considerá-lo um veículo tão simplesinho assim... Porém, se comparado aos carrões, mantidos com recursos alheios, utilizados por outros representantes da cúpula da Igreja, por autoridades governamentais, por dirigentes de empresas públicas, o Fiat Idea que transportou o Papa comunicou a necessidade da austeridade no uso do dinheiro advindo de espórtulas, dízimos e impostos...

            A HOSPEDAGEM – O Papa ficou hospedado em um quarto simples, dotado de uma cama de solteiro, na Residência Assunção, no bairro Sumaré, na cidade do Rio de janeiro. Poderia ter ficado em um dos mais tradicionais hotéis da Zona Sul do Rio, listado entre os melhores hotéis do mundo, ter fechado o último andar e se locomovido através do heliporto na cobertura... A mensagem é clara: engarrafamento de aviões e helicópteros nos céus do Brasil, super suítes em hotéis de luxo e restaurantes caros e sofisticados, não combinam com líderes populares, pelo contrário, os afastam daqueles que os mantêm...

            A VISITA À MARIA LÚCIA – O Papa visitou a Favela de Varginha, levando com ele muitas autoridades, dentre elas o prefeito, vereadores, deputados, bispos, cardeais... “Ninguém possui tanto que não possa receber e, também, não possui tão pouco que não possa repartir...” Além disso, deixou a mensagem de que o governo, a igreja e a justiça precisam, pelo menos de vez em quando, deixar os seus palácios, os seus escritórios e caminhar na direção do povo, conhecer suas necessidades, caminhar com ele, lado a lado, em busca de soluções para os problemas... Falar menos através de decretos, de encíclicas, de normas e portarias e trocar informações, diretamente, com os que se beneficiam, ou não, com as suas ações...      

            OS SAPATOS – Contrastando com os sapatos vermelhos, em couro italiano, de Bento XVI, os sapatos de Francisco são pretos, comuns e, por enquanto, pouco usados. Em breve estarão, completamente, surrados, como acontece com todos os seus sapatos, usados à exaustão, em suas muitas caminhadas pela vida... Como bem convém a um Jesuíta...  Como bem convém a um bom sacerdote... Sapatos luxuosos, caros, costumam dificultar as caminhadas... Uma igreja que precisa estar e caminhar com os seus fiéis precisa de sapatos confortáveis, como os de Francisco...

            O ANEL DO PESCADOR – Contrariando a tradição de se utilizar do ouro na confecção do anel que simboliza o poder Papal, Francisco preferiu a prata. Nos cumprimentos recebidos, onde a maioria das pessoas se ajoelha, imediatamente ao toque em sua mão, buscando beijar-lhe o anel, o Papa, via de regra, levanta quem o cumprimenta, evitando o “beija mão” e lhe diz “reze por mim”. Desprendimento e crença na força da oração de um, em favor do outro... Vivificação da memória de Pedro, o primeiro Papa, que não era rei, mas, um simples pescador!

            O CRUCIFIXO – Ao manter no peito o seu crucifixo de ferro, Francisco realçou o espírito em relação à matéria. O homem vale pelo que é e não pelo que tem. O líder se destaca pelo que representa e não pelo que ostenta. A verdadeira beleza da cruz não está na arte e nem no material com que foi confeccionada, mas no significado da figura de Deus crucificado, a favor de cada um de nós...

            AS PALAVRAS – “A praga do narcotráfico exige um ato de coragem de toda a sociedade”, “Não há esforço de pacificação duradouro com uma sociedade que abandona parte de si mesma”, “A verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração”, “Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e solidário”, “Tudo aquilo que se compartilha, se multiplica”, “Quero que saiam. Quero que a Igreja saia às ruas”, “O jovem não pode ser acomodado. Precisa sair e lutar por seus valores, por seus direitos”, “Peço um favor, com jeitinho, rezem por mim”, “Como diz o ditado, sempre se pode colocar mais água no feijão”, “O povo sente seu coração magoado quando as pessoas consagradas são apegadas a dinheiro”, “Um jovem que não protesta não me agrada” e “para mim, é fundamental a proximidade da Igreja. Porque a Igreja é mãe... A mãe dá carinho, toca, beija, ama”.

            O SORRISO – Talvez, este tenha sido o principal comunicador do Papa Francisco ao mundo: uma igreja alegre, feliz. O seu sorriso falava, por si só, de esperança e de alegria, incitando-nos ao otimismo, a uma visão positiva da vida! 

            Mais que esperança, otimismo, fé e alegria, o Papa Francisco despertou em muitos de nós, católicos ou não, alguns valores, que pareciam adormecidos: sinceridade, honestidade, fraternidade...

 

            O Papa despertou em nós orgulho... Orgulho de dizer, Eu creio Senhor!



Escrito por Prof. Eugênio às 16h32
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AS PÉROLAS DE UM PORTUGUÊS SUPER SINCERO

        AS PÉROLAS DE UM PORTUGUÊS SUPER SINCERO


Eu tenho um amigo português... Português da gema! Nascido lá “pras” bandas de Folgoso, um lugarejo pertencente à Província de Castelo de Paiva, na região do Porto. Aos setenta e seis anos de idade, o Norberto é uma figuraça e, como todo bom português que se preze, é extremamente sincero em suas respostas e completamente sem filtro em suas colocações.

            Acima de tudo, meu amigo português é um cara muito, muito divertido, uma pessoa de fácil convívio, solícito, daquelas que fazem valer à pena ter amigos. Transcrevo aqui, dividindo com vocês, algumas de suas, boas, tiradas.

             Em um reencontro com uma conterrânea que não via há mais de cinquenta anos, desde que deixou Portugal, de navio, nas ondas da segunda guerra mundial:

            - Ora, pois, pois, se não estou a reconhecer-te...

            - Sim, eu também não estou te estranhando...

            - Ora, sou Maria... Você não é o Norberto?

            - Sim, sou eu mesmo...

            - Estou impressionada Norberto... Não o vejo há mais de 50 anos... Tu não mudaste nada... Estás do mesmo jeito que te conheci gajo... Eu sou Maria, prima do Albano... Estais a se lembrar de mim?

            - Ah, agora sim... Estou me lembrando... Nossa! Você está muito velhinha... Você está muito acabadinha... Coitadinha!

            Em outro dado momento, durante a compra de um objeto em uma loja de artesanato, na região dos Lagos:

            - Boa tarde Senhor. O que deseja?

            - Estou interessado nesta peça aqui... Quanto custa?

            - Esta é uma peça muito bonita não é mesmo?

            - Quero saber é o preço...

            - Custa “x” reais...

            - Caramba, está muito caro...

            - Mas a garantia é de cinco anos...

            - Cinco anos minha senhora? Esse tempo não serve para nada... Até lá, até a senhora já morreu...

            Como essas, são várias as tiradas do Norberto, mas, uma das melhores, lembro-me como se fosse ontem, durante a conversa entre alguns professores...

            - Nosso amigo José da Silva está cada vez mais maluco...

            - Por quê?

            - Lembram-se quando ele disse que foi abduzido?

            - Sim, claro... Ele contou isso para todo mundo...

            - Pois é... Agora ele está afirmando que tem falado com Nossa Senhora...

            - O quê? Falado com quem?

            - Com Nossa Senhora, a Mãe de Jesus...

            - Ih!... Ficou maluco mesmo!

            E o assunto prosseguiu, com Norberto, apenas, escutando, enquanto os demais discutiam sobre a tal interação de José da Silva com a santa. De repente, Norberto entrou na conversa e saiu com esta pérola:

            - Vocês estão perdendo tempo com um assunto muito bobo...

            - Bobo? Ora, ele falou que fala com a santa...

            - E fala mesmo...

            - O que? Você também acha que ele fala com Nossa Senhora?

            - É claro que fala... Qualquer um pode falar!

            - Ih, ficou maluco também... Falar com a santa?

            - Claro... Falar ele fala...  Ela é que não responde...

            Ora, pois, pois... Estou aqui a pensar se não é melhor mesmo certo exagero na sinceridade a ter que achar aquela senhorinha mais nova do que aparentava ser, comprar aquele artesanato muito mais caro por conta de uma garantia totalmente sem sentido ou ficar duvidando de que o abduzido converse, mesmo, com Nossa Senhora...  

            Claro, que nem sempre podemos expressar nossos pensamentos e nossas opiniões de forma tão “direta”... A vida em sociedade acaba por exigir certa dose de “mentiras sociais”...

            Todavia, percebemos atualmente, um exagero nos eufemismos. A capacidade que tem essa figura de linguagem de atenuar, quando necessário, algumas expressões e palavras desagradáveis de serem ouvidas acaba por atenuar e suavizar a realidade de tal forma, que passamos a aceitar a situação como se fosse “normal” e passamos a nos omitir, eximindo-nos de qualquer esforço para mudá-la...

                Às vezes, principalmente diante das mazelas sociais e políticas, presentes em nossa situação atual, algumas coisas precisam ser ditas utilizando-se das expressões e das palavras duras e diretas, próprias daquela lógica, tão peculiar, do Sr. Norberto...



Escrito por Prof. Eugênio às 16h31
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EM DIREÇÃO AO MAR

           EM DIREÇÃO AO MAR


Eu nasci em uma cratera, cercada por serras, florestas e montes. Comigo foram nascendo outras e outras e, aos poucos, fomos enchendo aquele espaço... Aos poucos mesmo. Muitas outras tiveram que brotar da terra, se juntar a mim e às demais para atingirmos o volume suficiente para chegar ao ponto de escape entre duas montanhas.

Conseguimos passar... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Nem bem começamos a descida e encontramos pedras... Muitas pedras. Um pouco de paciência, esperamos as outras chegarem, e chegarem, até conseguirmos volume suficiente para ultrapassar o paredão.

 Caímos em queda livre... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Enquanto caíamos, olhei para baixo e vi um grande e profundo remanso. As outras vieram atrás, caindo, em um interminável e fino véu branco... Aos poucos, o remanso foi se enchendo, enchendo e, passado algum tempo, conseguimos sair do remanso e pegar a correnteza.

Corremos cachoeira abaixo... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Desvia de uma pedra aqui, desvia de outra pedra lá e, quase sem perceber, já estávamos dentro de um pequeno canal, cercado por vegetação rasteira, conduzidas a um moinho d’água. Rodamos a pedra, socamos o pilão e escapamos por entre grades e cercados...

Retornamos para o córrego... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Percorremos muitas noites e muitos dias, desviadas para propriedades, transportadas em galões, armazenadas em tanques... Passamos por mangueiras, chuveiros, retornamos ao córrego e fomos jogadas em um riacho...

Como riacho, ficamos um pouco mais velozes... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Passamos por lagoas, lagos e represas... Irrigamos terras, hortas e cafezais. Transbordamos em alguns dias e quase nos dissipamos em outros. Depois de muitas luas, fomos recebidos por um ribeirão...

Como ribeirão, ganhamos um pouco mais de velocidade... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Passamos por povoados, vilas e cidades, recebemos detritos, entulhos, móveis e encontramos, até, algumas casas pelo caminho... Desviamos, derrubamos e engolimos o que foi preciso para seguir em frente e, em alguns dias, chegamos a um grande rio...

Como rio, ficamos muito mais velozes... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Na medida em que nos deslocávamos, íamos ganhando cada vez mais companheiras... Às vezes, vinham de outros córregos, riachos e ribeirões... Às vezes, caiam do céu... Ficamos paradas, por um bom tempo, em uma gigantesca barragem, até que conseguimos passar pelas comportas...

Descida rápida, unida a uma grande quantidade de outras iguais a mim... Agora, era só seguir o caminho, em direção ao mar...

Percorremos muitos vales, passamos por muitas cidades, destruímos pontes, abastecemos casas, lavamos ruas e carros, demos vida aos peixes e aos vermes, matamos a sede e banhamos os humanos... Seguimos em frente, sempre, a caminho do mar...

O que seria de mim, uma pequena gota, se não fosse essa determinação de chegar ao mar?

Essa minha história foi registrada em um pequeno pedaço de papel, enrolado e acondicionado em uma cápsula. Esteve guardada em muitos lugares até que ganhasse a pasta do Humberto Luiz e fosse oferecida ao autor do texto, na porta de um hospital, onde sua mãe se preparava para iluminar um mar de estrelas. Foi sintetizada em uma simples frase: “A nascente consegue chegar ao mar porque aprendeu a vencer os obstáculos que encontra pela frente”.

 

Assim, simples... Tão simples que pode ser aplicada, até, pelo homem.



Escrito por Prof. Eugênio às 16h30
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WHY? NÃO... UAI!

             WHY? NÃO... UAI!

Esta semana o brasileiro dormiu assustado com a confirmação de algo que ele, assim como a maioria dos povos, já suspeitava há muito tempo e, no entanto, não lhe dava a devida atenção: os Estados Unidos da América estão espionando o mundo, através da internet e do telefone, observando, recolhendo e controlando informações dos governos, das instituições e das pessoas.

            Foi preciso que um tal de Edward Snowden, ex-funcionário de uma empresa terceirizada da Agência Nacional de Segurança dos E.U.A. confirmasse que a NSA e a CIA estavam controlando todos os dados que passam pelos E.U.A, ou seja, estavam controlando usuários de todo o planeta, inclusive os brasileiros...

            Raimunda, solteirona, dona de casa, residente no segundo andar de um antigo sobrado, localizado em uma rua estreita, na periferia de uma cidade do interior de Minas Gerais, mal ouviu a notícia e, ainda com o Willian Bonner apresentando o jornal, correu para a varanda na esperança de falar com sua amiga Marieta...

- Marieta, ô Marieta, você está em casa? Uai! Ninguém responde...

            Marieta, três anos mais velha que Raimunda, também solteira, domiciliada no segundo andar de um sobrado localizado em frente ao de Raimunda, estava atônita com a notícia. Congelada, com a agulha do crochê presa no ponto cruz, Marieta foi voltando à realidade ao ouvir, ao longe, a voz de Raimunda...

- Uai, tem alguém me chamando...

- Marieta... Marieta... Marieta...

- Uai, parece a Raimunda...

            Marieta se dirigiu para a varanda do sobrado e, de lá, visualizou Raimunda, retornando para o interior da casa. Voltou, pegou o telefone e discou o número da vizinha...

- Raimunda, que gritaria é essa uai?

- Uai Marieta, eu estou apavorada...

- Apavorada por que uai?

- Por conta da notícia uai...

- Eu assisti também uai. Assustei no princípio, depois fui me aquietando... Agora, estou aqui pensando: será que eles escutaram as nossas conversas?

- É claro que escutaram uai. Aquilo que te contei ontem, ao telefone... Você está lembrada?

- É claro que estou uai!

- E aquele outro assunto, aquele que falamos primeiro?

- Uai... Qual assunto?

- Aquele uai, que eu falei que fiz de noite...

- Uai, não estou lembrada não... Espera, é o que começa com a letra C?

- É uai, é esse mesmo...

- Mas, é o que você fez antes ou depois da missa? Preciso saber disso pra poder lembrar uai...

- É o que fiz depois da missa... Antes da missa eu Comi uai...

- Ah, agora me lembrei uai... Você Comeu três cachorros quentes, dois copos de canjica, quatro pedaços de rapadura, dois copos de feijãozinho, um pratinho de torresmo, um pão com ovo, dois cajuzinhos e meia lata de leite condensado...

- Isso mesmo uai... Você se lembrou de tudo, só faltaram os dois copos de leite com goiabada picada e o prato de arroz doce... Mas, não estou preocupada deles terem escutado sobre este C – de comida - não...

- Está preocupada com que então uai?

- Com o outro C que eu fiz uai... Nem esperei a missa acabar...

            Enquanto isso, funcionários da CIA e da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos da América “quebravam” a cabeça tentando decifrar a grande repetição de “why” durante a conversa de Raimunda e Marieta...

Repetição de “why”? Ora, elas não falaram nenhum “why”... Elas falaram e repetiram, muitas vezes foi o “uai”...

O mineirêz e o inglês não estavam se entendendo...

Os agentes americanos estão, ainda, em dúvida sobre a conversa, por conta da idêntica sonoridade da pronúncia de why e uai... A única dúvida que eles, certamente, não têm, é a de que o Presidente Obama e o seu governo fizeram o mesmo C que Raimunda fez nas calças, correndo para casa após a missa... 



Escrito por Prof. Eugênio às 16h29
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CRÔNICA: A conversa das surdas!

CRÔNICA: A conversa das surdas! 

Em tempo de paralisações e de manifestações populares, muitas delas compostas por muita gente bem intencionada, ávidas em denunciar os péssimos serviços que os brasileiros recebem em troca da altíssima carga de impostos que pagam, embora em algumas delas também vejamos um pequeno grupo de aproveitadores das causas alheias, de revanchistas eleitoreiros, de bandidos e de depredadores do patrimônio alheio, nada mais justo que também este escriba volte a falar deste tema.

Mas, isso não será possível... É que, de alguma forma, o paredão governamental e a exposição maciça do problema na mídia, estão deixando a todos próximos ao ponto de esgotamento, ou seja, com a sensação de que o assunto saturou...

Mesmo pensando que isto pode ser uma grande estratégia de uma parte interessada em que nada se resolva, resolvi fazer essa crônica, falando de outra coisa... Um causo sobre a conversa das surdas.

À primeira trovoada, na tarde de sexta-feira, Maria deixou o rabo do fogão e foi para o terreiro recolher as roupas no varal. Assim que pegou a primeira peça das roupas maiores, ouviu um barulho qualquer, no portão...

- Quem é?

- Ô de casa, tem alguém aí?

- Que barulho é este, alguém vendendo açaí no portão?

- Sabão? Maria, você está em casa?

- Enxada? Não estou entendendo nada...

- Fazendo empada? Onde, na cozinha?

- Farinha? Enxada, farinha... Que carnaval!

- Ah! No quintal. Já estou entrando Maria...

Antes que Maria, com algumas peças de roupa em um dos braços e com a mão no varal em busca de outra, pudesse responder “Cantando de Alegria?”, Josefa chegou ao quintal...

- Tudo bem Maria? Há muito estou gritando, igual a uma doida, no portão...

- É você Josefa? Estou gritando ha um tempão e você não respondia...

- O que você está arrumando?

- Cozinhando? Não! Estava sentada, na cozinha, quando ouvi a trovoada e corri para pegar as roupas no quintal...

- Fazendo feijoada com muita carne e pouco sal?

- Pois é mesmo a molhada tem de sair do varal...

- Maria, minha filha comprou uma caçarola muito boa...

- Não, isso aqui não é uma calçola da patroa... É uma calcinha...

- Cozinha sim... Ela cozinha como ninguém...

- É verdade, quando eu a uso, ele me chama de gracinha e de meu bem...

- Será? Será que você sabe cozinhar também, assar, fritar e fazer uma boa macarronada...

- Rsrs... Não, isso não... Gritar, tudo bem. Cachorrada, não... Rsrs

- É grande sim, dá até para fazer vaca atolada...

- Cruzes, você hoje está falando muita besteira...

- Pois é, frita uma batatinha como se fosse uma frigideira...

- Ah não, assim não dá pra falar com você não... Vá-se embora!

- Agora? Tá bom... Vou pedir para ela trazer a panela aqui pra você ver...

- Certo, quando você estiver na janela eu vou lá pra gente resolver...

Maria terminou de recolher a roupa, deixou tudo em cima da mesa e foi assistir ao jornal na televisão.

Josefa cumprimentou Maria, saiu pensando o porquê, de repente, ela ficou com uma cara de poucos amigos e, também, foi assistir ao jornal na televisão...

“Este povo, agora, está mostrando que tem sangue nas veias, que sabe o que quer. Está unido, com garra, com foco... Conseguir mudar o Brasil” pensou Maria...

“Isso é que é governo... Está falando com os manifestantes e, até, está querendo marcar um plebiscito...”, pensou Josefa...

E assim, a deixa da crônica acabou por me empurrar para o assunto: está tudo, mais ou menos, como a conversa das surdas... Alguns pensando que estão comendo, juntos, à mesa, enquanto outros estão pensando que estão fazendo sexo... Ativamente!

Plebiscitários e ativistas: será que irão se entender? 



Escrito por Prof. Eugênio às 16h28
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CRÔNICA: A dor de cabeça com o marido de dona redonda!

CRÔNICA: A dor de cabeça com o marido de dona redonda! 

Em 1974, ele saiu de uma cidade do interior de Minas, dirigindo um fusquinha, com destino à capital, para participar de uma reunião na Secretaria de Estado de Educação. Uma viagem, para aquela época, tão desafiadora quanto às realizadas atualmente... Se naquela época não havia carros tão velozes e confortáveis, em contrapartida, o fluxo de veículos era menor...

No entanto, alguns trechos da estrada que se percorria, há quarenta anos, eram muito parecidos com as atuais: o traçado da rodovia continua ruim, fazendo vítimas, dizimando sonhos e, com raras exceções, os pontos de apoio para abastecimento e lanches continuam desconfortáveis, sujos e com péssimo atendimento.

O motorista, um professor da rede pública, hoje já se aposentou no cargo. Por falar em professor, diferentemente do que aconteceu com a estrada, há quarenta anos o magistério era uma profissão respeitada, valorizada e admirada...

Bom, vamos ao causo acontecido com o professor em Belo Horizonte...

Ao tentar cruzar a Avenida Pedro II, tendo um ônibus à sua direita a tampar-lhe a visão da outra pista, o professor recebeu o sinal do motorista do coletivo para prosseguir... E, assim, o fez. Tão logo o para-choque do fusquinha despontou na outra pista, o carro foi atingido por um gordine...

Para-lama de um veículo amassado, para-choque de outro dependurado... Estava feita a confusão!

Do gordine azul, ano 1767, desceu um motorista raivoso, com aquele ar de autoridade...

- Antes de qualquer coisa, você tem ideia de quem é o dono do carro que você bateu?

- Acredito que seja alguém da polícia... Eu, meu amigo, sou um simples professor do interior...

- Não, não sou. Sou Oficial de Justiça! Você não olha por onde anda?

- É claro que olho, tanto que fiquei aqui parado, esperando o momento de atravessar a avenida e, só o fiz, quando o motorista do ônibus sinalizou-me que eu poderia fazê-lo...

- Ah! Não quero nem saber. Você está errado e o meu carro precisa ser reparado...

E, assim, o jovem professor, com pouco dinheiro no bolso e quase nenhum na conta, conseguiu voltar o para-lama do seu fusquinha para o lugar e seguiu o gordine da “autoridade” até uma revendedora de peças.

O gordine, um carro pequeno, de quatro portas, com carroceria monobloco e motor de quarenta cavalos, fez muito sucesso quando do seu lançamento pela Renault, em 1958, na Europa. Aqui no Brasil ele foi lançado quatro anos depois, através de licenciamento dado à Willys, tornando-se um dos carros mais vendidos na época, mesmo nos passando aquela sensação de que não seria capaz de acomodar quatro pessoas com algum conforto... Muito menos a esposa da “autoridade”, que será apresentada mais adiante...

Muito bem, chegando à tal casa de peças, o dono do gordine – com a pintura bastante arranhada e queimada em função de sua década de uso – preparou-se para tirar o máximo proveito do incidente...

- Pois então professor, meu carro é importado, caro, vamos ter que colocar um para-choque novo nele...

- Como assim? Um para-choque novo? Nem combina com a aparência do seu carro... Vai destoar do conjunto da obra!

Depois de muita conversa, concordaram que o professor pagaria o equivalente à metade do valor de um componente novo. Educadamente, após endividar-se de vez com aquele gasto, o professor se despediu. Aliás, tentou se despedir...

- Então, meu senhor, ficamos assim. Muito obrigado, desculpe pelo incômodo e boa sorte.

- Como assim “boa sorte”? Meu carro ficará parado para a colocação do para-choque... Eu preciso que o senhor me dê uma carona.

E lá se foram, de fusquinha, com destino à residência da “autoridade”...  Longe, muito longe, lá nos cafundó de Belo Horizonte. Chegando à casa, foram recebidos por uma senhora que bem poderia ter o apelido de “Dona Redonda”, de tão gorda que ela era..

- Eu sabia! Eu sabia! Fui alertada por uma visão que algo tinha acontecido...

            E, com estridentes gritos de “Oh! Meu Deus, oh! Meu Deus!”, dona redonda caiu,e rolou, sobre o chão de terra vermelha...

            - Minha senhora pressente os acontecimentos... Ela estava pronta para uma festa... E, agora, nem carro tenho para levá-la...

            - Se eu puder ser útil...

            - Com certeza, você pode nos dar uma carona até o clube...

            E, assim, o jovem professor, mais uma vez, pôs-se a caminho, com dona redonda no banco dianteiro, a ponto de provocar um capotamento em uma das inúmeras curvas da longa, muito longa estrada que conduziria ao tal clube...

Neste momento, não teve como o professor deixar de imaginar de que forma aquela senhora era transportada em um gordine...

Isto tudo há quarenta anos...

E, ainda hoje, existem pessoas assim... Que dão a famosa “carteirada”, que tentam tirar vantagens da desgraça alheia e não usam o “desconfiômetro” para medir os transtornos causados aos outros...

Quanto ao professor... Bem, o professor perdeu a sua reunião, não participou da festa junto com os transportados, voltou para casa de madrugada, com o carro amassado, com o amortecedor do lado do carona travado e com uma dívida contraída por conta do estragado ocasionado no gordine...  

Quanto ao motorista do ônibus... Desse, nunca mais se teve notícias. Deve estar por aí, sinalizando para ajudar alguma autoridade...



Escrito por Prof. Eugênio às 16h27
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SAPIENS, O FILHO DE LACERDA E SÃO JOSÉ

                              SAPIENS, O FILHO DE LACERDA E SÃO JOSÉ 

 

Boa parte dos textos que escrevo tem um “leitor de primeira hora”, a quem recorro para dar uma olhada e verificar se o uso do Português se encontra em condições adequadas para publicação.

Desta vez, porém, o texto sairá sem a importante revisão do Professor José Lacerda da Cunha, já que, provavelmente, em sua discrição e verdadeira modéstia, ele não se sentiria à vontade para revisar um texto que falasse dele próprio 

Uma modéstia que, para nós, parece sem muito sentido, diante de sua importância como um dos maiores experts em Língua Portuguesa de toda a região, com título de Especialização em Literatura pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, mas que consolida a sua posição, impecável, de profissional dedicado, educador acessível, de quem ensina aprendendo... Modéstia que fortalece, ainda mais, a sua posição de amigo de todos e de todas as horas, de quem sente prazer em compartilhar o vasto conhecimento que possui.

Esse mineiro, nascido em 22 de março de 1938 em um dos povoados mais antigos do Brasil – Lima Duarte – localizado na região de Ibitipoca, primogênito dos nove filhos de Manoel Moreira Lacerda e Ambrosina Iria de São José, casado com Terezinha Lacerda, pai de Emerson, Anderson e Viviane Lacerda e avô de Victor Lacerda, é um apaixonado pela família, pela docência, pelos livros e pela vida.

  O menino que sonhou em ser padre; que aos quinze anos iniciou seus estudos no Seminário Menor Santo Antônio, em Juiz de Fora e, seis anos depois, cursou Filosofia no Seminário Maior, em Mariana, resolveu ser professor. Consolidou-se como um profundo conhecedor da língua portuguesa, das literaturas brasileira e portuguesa, além de dominar o Latim e o Francês.

Um homem que se orgulha de ter estudado e por ter ajudado seus irmãos a estudarem. Um professor que sempre fez questão de colocar em prática, junto aos filhos, o que sempre fez com seus alunos, incentivando-os à leitura, aos estudos, à busca permanente do conhecimento. 

No início dos anos 60, já lecionava no ginásio Lima Duarte, do qual foi seu diretor e, posteriormente professor e diretor da Escola Normal Santa Brígida, ambos localizados em sua cidade natal.

O ex-aluno de Filosofia, exemplar e respeitado em sua passagem por Mariana, recebeu de D. José Eugênio Correa, o convite para cursar Letras em Caratinga, em uma faculdade que estava em processo de implantação. O atendimento aos requisitos necessários para o início dos cursos da FAFIC, normalmente demorado, em face das inúmeras exigências legais, acabou por determinar a permanência do professor Lacerda na região. 

Nos dez anos que se seguiram à revolução de 64, ele trabalhou em algumas cidades da região. Foi professor no Colégio Estadual Alberto Azevedo de Inhapim e no Ginásio Estadual de Dom Cavati; professor e diretor no Ginásio de Inhapim e diretor no Ginásio Estadual Frei Marcelino Milão, em Iapu. Também, neste período, passou pelo Colégio Estadual José Augusto Ferreira, em Caratinga e, em 1969, após concluir o curso de Letras – Português/Inglês – na Faculdade Santa Marcelina, em Muriaé, passou a exercer a docência no Ensino Superior, na Faculdade de Filosofia, Ciências e letras de Caratinga. 

Na década de 70 atuou como subcoordenador da área de educação não formal da 4ª Delegacia Regional de Ensino de Caratinga e, em 1994, ingressou como professor na Escola Professor Jairo Grossi, onde coordena atualmente a área de linguagem. 

Membro da Loja Maçônica Caratinga Livre, na qual ocupou vários cargos, inclusive o de Venerável Mestre, membro do Conselho Municipal de Educação de Caratinga, da Assembléia da Fundação Educacional de Caratinga e da Academia Caratinguense de Letras, José Lacerda da Cunha é, merecidamente, Cidadão Honorário de Caratinga.

Professor de Português, Francês, Inglês, Latim, Filosofia, Sociologia, Psicologia, Matemática, Estatística, Desenho Geométrico e das Literaturas Brasileira, Portuguesa, Latina, Francesa e Espanhola, o Doutor Educação José Lacerda da Cunha é um patrimônio do conhecimento, cuja importância transcende a própria instituição onde trabalha há quarenta e cinco anos, assim como a cidade onde vive e constituiu a sua família.

Um homem de notório saber e que estuda, rotineiramente, como convém a um bom aprendiz... Essa mistura entre a vontade de ensinar e a de aprender, associada à simplicidade, à boa vontade, ao respeito às diferentes formas de aprendizagem e à certeza de que, de alguma forma, todo aluno é capaz, faz do nosso professor Lacerda uma pessoa muito, muito especial.

Dele não se escuta falar nada que não seja com respeito, deferência, admiração e bem querer... 

Conversar com este mestre que, aos setenta e cinco anos, ministra aulas para adolescentes, jovens e adultos é uma oportunidade de viajar no tempo, da pré-história às novas tecnologias, em um mundo encantado onde convivem os mais diversos, antigos e modernos conhecimentos. Um homem antenado, detentor da excelência em ministrar aulas, em gerir e facilitar a aprendizagem.

Conviver com este professor é uma oportunidade ímpar de aprender e de praticar a finesse. Um momento raro de sentir os ares da sapiência...

Sapiens José Lacerda da Cunha, o Professor!



Escrito por Prof. Eugênio às 16h25
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CHRONOS, O SENHOR DO TEMPO, É IMPLACÁVEL!

                     CHRONOS, O SENHOR DO TEMPO, É IMPLACÁVEL!

 

Nós temos roupas caras, de marca, sem marca alguma, baratas, novas, velhas, remendadas, feitas sob encomenda, ganhadas de presente, adquiridas em brechós...

Nós temos uma mesa, estante, escrivaninha, balcão, poltrona, cadeira estofada, cadeira de plástico, banco de madeira, computador, máquina de escrever, barraca na feira, trailer, caneta, vassoura, enxada...

Nós temos palácios, mansões, excelentes apartamentos, boas casas, casas simples, casebres, casas de “pau a pique”, casas de papelão sob o viaduto, esteiras na calçada...

Nós temos eletro-domésticos de última geração, eletro-domésticos simples, equipamentos acionados por controle remoto, movidos a energia elétrica, a querosene e a carvão...

Nós frequentamos museus, teatros, estádios, restaurantes sofisticados, cinemas, parques de diversões e temáticos, clubes, discotecas, hotéis, pensões, cantinas...

Nós cultivamos plantas, cuidamos de bichos e temos animais de estimação.

Nós temos pai, mãe, filhos, irmãos, avós... Nós temos família.

Nós temos um corpo... E cuidamos dele.

E, a tudo o que temos, nos apegamos porque representam conquistas, valores, distinções... Está certo! São coisas importantes para nós as quais, de alguma forma, justificam o nosso próprio sentido de ser, estar, permanecer...

Permanecer...

Nossas roupas, aos poucos, se acabarão nas lavanderias, nas máquinas de lavar, nos tanquinhos, nos varais, nos gramados, nas pedras do rio... Acabar-se-ão com a velhice, com o sobrepeso ou, simplesmente, em outros corpos ou, quem sabe, em um armário escuro, em um baú, em caixas de papelão, com cheiro de naftalina...

Nossos equipamentos de trabalho, daqui a pouco, não serão mais nossos. Quer seja porque outros ocuparão nossos postos de trabalho, quer seja porque serão substituídos, vendidos, doados ou, simplesmente, perecerão...

Nossas residências, em poucos anos, serão usadas por outras pessoas, com sobrenomes iguais ou diferentes dos nossos, talvez sejam tombadas e virem museus, talvez sejam reformadas, modificadas, derrubadas... O espaço no qual residimos hoje certamente não será mais o mesmo quando outros passarem a decidir sobre eles...

Nossos  eletro-domésticos, em muito pouco tempo, já não nos pertencerão mais. Hoje, já os trocamos rotineiramente, substituindo-os por equipamentos mais modernos, mais eficientes, mais bonitos... E, mesmo se cuidarmos deles com todo o cuidado, daqui a pouco serão considerados velharias e, depois de serem usados por outros, terão como destino o lixo...

Os lugares que costumamos frequentar, em muito pouco tempo, desaparecerão ou se transformarão em outros diferentes espaços, para outros públicos...

Nossas plantas perecerão ou farão sombra para outras pessoas, nossos bichos e animais de estimação, em breve, não estarão mais aqui... 

Nossos pais, infelizmente, serão separados de nós e, nossos filhos, por mais que queiramos mantê-los conosco, exercerão o seu direito de ir e vir, com a liberdade que nós, também, exigimos de nossos pais...

Nosso corpo, claro, perecerá um dia... E, mesmo que demore muito, estará velho, enrugado, doente...

E eu nem sei justificar, exatamente, o que estou querendo dizer com tudo isso. Talvez, eu queira apenas, ao falar ou escrever sobre o assunto, ratificar o que minha alma já sabe, silenciosamente... Sem palavras...!

Só sei que, por mais que eu não queira, terei de ficar sem tudo isso um dia... É que, Chronos, o antigo senhor grego do Tempo, é implacável em sua contagem cronológica, sequencial, do tempo.

De toda sorte, se é para buscar referência na mitologia grega fiquemos, então, com Aion, com o seu tempo eterno, sagrado... O Tempo de Deus!

 

Somente Deus e a nossa Fé podem nos fazer conviver com esta complicada certeza de que, aqui, nada é para sempre!



Escrito por Prof. Eugênio às 16h24
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IMPOTÊNCIA

                                                        IMPOTÊNCIA


Você dá um beijo nas crianças, pega a chave do carro e, depois de muito “arranhar”, o motor não pega. Você insiste mais uma vez, o motor gira, “arranha” novamente, provoca alguns “tiros”, mas nada de pegar...

 Quando isso acontece, você pode implementar muitas ações, tais como abastecer o veículo, trocar a bateria, chamar o mecânico, requisitar o guincho, acionar o seguro, deixar o carro trancado e seguir a pé, de carona ou de táxi ou, simplesmente, comprar um automóvel novo. 

No final do mês, com a conta bancária ávida por novas entradas de dinheiro, surge a necessidade de efetuar um determinado gasto, em função da chegada de alguns parentes na sua casa. Você acessa o caixa eletrônico e a informação na tela informa que, a partir daquele momento, você entrará no cheque especial...

Quando isso acontece, você pode implementar algumas ações, tais como utilizar o limite do cheque especial, comprar no cartão de crédito, pré-datar o cheque, comprar fiado na caderneta, pedir dinheiro emprestado a alguém, não comprar nada e usar o que tem na dispensa ou, simplesmente, falar para a visita voltar em outra hora...

Você chega ao trabalho e é informado, à queima roupa, de que está desempregado a partir daquele momento. Você pensa na família, nos carnês adquiridos, na escola dos meninos, no presente prometido, na viagem agendada e na falta que sentirá da equipe de trabalho...

Quando isso acontece, você pode implementar algumas ações, tais como sentar e chorar, xingar e maldizer o empregador e seus representantes, entrar com o pedido de seguro-desemprego e ficar de férias cinco meses, pegar o que é seu por direito e cair no campo à procura de outro emprego, abrir o seu próprio negócio ou, simplesmente, aposentar-se...

Você termina o segundo bimestre na escola com alguns problemas em relação às notas. Tudo indica que você ficará de prova final em, pelo menos, três disciplinas...

Quando isso acontece, você pode implementar algumas ações, tais como passar algumas horas fazendo cola, falar mal dos professores e culpá-los pelo seu mau desempenho, colocar a culpa no trabalho, na família ou nos amigos que não o motivaram para o estudo, falar mal da escola e de sua infraestrutura, abandonar o curso, mudar de escola ou, simplesmente, “enfiar a cara” nos livros, estudar e cumprir a sua obrigação de aprender, ensinar e, claro, passar de ano.

Você veste a sua beca e vai para a sua reunião semanal, em um grupo social qualquer. Chegando lá você percebe que alguém está lhe faltando com a devida cortesia, o que acaba por lhe transmitir aquela sensação de que está sendo mal tratado, pouco acolhido, fazendo sentir-se deslocado...

Quando isso acontece, você pode implementar algumas ações, entre elas, deixar de comparecer às reuniões por algum tempo, sair definitivamente do grupo social, falar mal com os demais sobre aquele participante que o incomoda, ir às vias de fato com a tal pessoa, dizer para o grupo a ridícula frase “ou eu, ou ele”, fazer mandinga para o sujeito,  rogar uma praga ou, simplesmente, reavaliar suas atitudes, chamar o descortês para uma boa conversa e quem sabe, encontrar uma solução para o problema.

Você chega a casa, depois de um cansativo dia de trabalho e, mesmo antes de ser cumprimentado, a companheira começa a brigar, a questionar o atraso, deixando vir à tona toda a carga de ciúmes, insinuando que você estava na gandaia, classificando-o de relapso, que vai se separar e tantos outros blá blá blás...

Quando isso acontece, você pode implementar algumas ações, entre elas, tentar se explicar, passar a avisá-la sobre eventuais atrasos, não dar a senha do e-mail para ela, apagar as mensagens do telefone, deixar que ela se vá ou, simplesmente, dar-lhe um beijo, reconhecer o seu erro, pedir desculpas e dar-lhe a atenção que ela merece...

Automóvel, dinheiro, emprego, diploma, relações sociais, relacionamentos amorosos... Para tudo isso é possível, bem ou mal, implementarmos algumas ações, tais como omitir, alterar, decidir, estragar, consertar, remediar... No que diz respeito a estas questões nos julgamos, via de regra, suficientes... E, quase sempre, o somos de fato... Mesmo que, às vezes, façamos tudo errado...

Porém, em alguns momentos, passamos por alguns revezes, algumas provas... Como trazer alguém de volta à vida? Como impedir que a pessoa que você ama sofra com determinados tratamentos de saúde? O que fazer para trazer de volta o brilho no olhar, a alegria e os sonhos de alguém que, parece, está indo embora?

Quando isso acontece nada se pode fazer... Quando esse momento chega, escancaramos toda a nossa insignificância, a nossa impotência diante do inexorável ciclo da vida, a nossa pequenez diante da possibilidade do adeus...

 

Ainda bem que existe a Fé... E é na Fé que acreditamos que o leito da morte pode ser também, o leito da vida. E, se assim não for possível, certamente será o berço da Vida, de onde se parte para um novo renascer, no contínuo, no incessante, no permanente, ciclo da vida...!  



Escrito por Prof. Eugênio às 16h22
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MARILENE GODINHO, A ESCRITORA!

                 MARILENE GODINHO, A ESCRITORA!

O ano de 1941 foi muito especial para nós, brasileiros, nas mais diversas áreas...

 

                Naquele ano, a Educação brasileira ganhou a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, através da celebração da missa inaugural das Faculdades Católicas, berço da PUC-Rio; para a Arte nasceu o artista plástico José Roberto Aguilar e a Portela deu início aos “anos portelenses”, ganhando o carnaval carioca e abrindo um recorde, até hoje imbatível, na quantidade de títulos consecutivos...

 

                Na área da Ciência, nasceu uma das maiores historiadoras de filosofia brasileira, a professora Marilena de Souza Chauí enquanto, na Política, o Brasil criou o Ministério da Aeronáutica e a Força Aérea Brasileira, poucos meses antes de sua participação na segunda guerra mundial... 

 

                O cinema e a televisão ganharam alguns de seus ícones, com o nascimento de Neuza Borges, Mussum, Betty Faria, Roberto Carlos, Nana Caymmi e Dominguinhos. A Música foi agraciada com a primeira gravação de Luiz Gonzaga, como sanfoneiro, abrindo caminho para o nosso magnífico Rei do Baião...

 

                E a Cultura ganhou, no dia 26 de agosto de 1941, um ícone da literatura infanto-juvenil... Neste abençoado dia nasceu, em Caratinga, Marilene Pereira Godinho Soares, a nossa Marilene Godinho, que comemora este mês 35 anos de sua primeira publicação. 

 

                Filha de Geraldo de Souza Godinho e Nadir Pereira Godinho, Marilene Godinho é mãe de Margareth, que lhe presenteou com os netos Luísa e Eliseu, e de Walder, que completou a sua alegria, como avó, dando-lhe a neta Alyssa. Em relação ao seu trabalho, Marilene não poderia ter alegria maior: seus filhos e netos leem todos os seus livros e são, assumidamente, seus fãs incondicionais.

 

                Marilene, desde cedo, demonstrou a sua vocação para a Arte. No Colégio Nossa Senhora do Carmo, referência de excelência na educação na época, onde cursou o ensino primário, o ginasial, o curso normal e o científico, ela participava dos grêmios literários, apresentava peças, declamava poesias, cantava no coral e contava histórias... Aos nove anos, escreveu o seu primeiro conto infantil, abrindo as portas para muitas outras histórias.

 

                Incentivada pelo pai, um experiente e respeitado farmacêutico prático, transformou o quintal de sua casa em palco para recitais de poesias, contação de histórias e apresentação de peças teatrais, sempre aplaudida pelos pais e pelos irmãos Maria Amélia, Cleber, Cacau, Ide e Norminha.


            
Formada em Espanhol, nossa escritora graduou-se em Letras, pela Faculdade de Filosofia de Caratinga, hoje, Centro Universitário de Caratinga. Membro da Academia Caratinguense de Letras e da Academia Feminina Mineira de Letras, Marilene Godinho é uma escritora completa: contista, cronista, poetisa e crítica literária. Marilene é, também, cantora, professora, compositora... Ela é festiva e festeira...

 

Marilene Godinho é nossa! Além de ter seus livros lidos nos mais diversos pontos do país, nossa Marilene brinda Caratinga e região através de expressiva atividade intelectual e artística...

 

Como água de mina que não para de jorrar, nossa escritora não se cansa de escrever e publicar as suas obras, para a nossa alegria, para o orgulho da nossa cidade e para o enriquecimento cultural do nosso Brasil...

 

Nossa grande escritora publicou 31 livros. De sua lavra saíram Balão Azul (1978), Boneca de pano (1980), O menino palhaço (1982), A avó que não era antiga (1983), Uma canção de amor para Tiago (1985), O galo que não sabia cantar (1987), Lua de rapadura (1990), Muidinho (1991), Quem ama com fé (1992), Irmão Sol, irmã Lua (1995), Nas águas de meu pai (1996), Hora anda, hora para (1997), Gorducha (1997), Gaguinho (1998), É da roça (1999), Menino ama menino (2000), O gato que não sabia miar (2000), Filha quer mãe não quer (2001), Passarin (2001), Pintor de rodapé ou pingo no i (2002), Foguete no picadeiro (2002), A grande festa (2003), No reino das águas (2004), Cada letra uma aventura (2005), Deste amigo não me livro (2006), Lua de Rapadura 2 (2008), Louvação (2010), Circo Alegria (2010), Sabores da Mulher (2011), Asas de menino (2013) e A Roupa Mágica do Palhaço (2013). Todos, lançados em magníficas festas...

 

Com Marilene é assim: todo lançamento de livro é uma festa! Quando ocorreu a minha primeira publicação, fora da área técnica, em 2009, Marilene me disse que eu devia festejar o lançamento do livro, afirmando que “O livro é fonte de conhecimento e prazer – merece ser recebido com alegria. Através da festa, Eugênio, a gente mostra a importância do livro e da leitura e aproveita para reunir os amigos”... Ela estava certa. A cada lançamento, mesmo não fazendo a festa que somente a Marilene sabe fazer, não deixo de fazer uma solenidade, de valorizar o livro, a leitura e os leitores. Tem dado certo!

 

Marilene é assim... Uma mulher especial, arrojada, corajosa e simples... Simples face à importância de sua produção literária e do que ela representa para a Cultura e para o Conhecimento, não apenas para Caratinga e região, mas, para o Brasil.

 

Uma mulher que escreve, ensina, incentiva, canta e encanta... Encanta a todos os que com ela convivem...

 

            A filha de Caratinga e cidadã honorária de Inhapim e de São Domingos das Dores, detentora de vários troféus, comendas e títulos distintivos é, também, uma artista premiada, sendo vencedora do Festival da Canção de Raul Soares, do Primeiro Concurso de Contos de Viçosa e do Prêmio Nacional de Poesia Cora Coralina, da Bahia.

            Uma mulher que muito tem feito para a cultura e para as pessoas em Caratinga e que, ainda, não recebeu da cidade a justa homenagem de que é merecedora... De alguns, inclusive, não recebeu, sequer, os necessários agradecimentos...

            Ela homenageou muita gente, festejou muitas datas e alegrou muitas noites desta cidade... Eu penso que já está mais que na hora de Caratinga prestar o devido tributo à grande escritora brasileira, Marilene Godinho.

            A festiva e festeira Marilene Godinho, para si própria, não cobra, não solicita e, possivelmente, nem queira uma festa... Mas, não posso deixar de registrar que ela merece mais que uma festa... Ela merece receber uma justa e sincera homenagem da terra que tanto ama e que tão bem representa em todo o Brasil.

 

Um viva à Marilene!



Escrito por Prof. Eugênio às 16h20
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A FORTE E DOCE AGRIPINA

                              A FORTE E DOCE AGRIPINA

Num certo dia do mês de fevereiro de 1965, às 06h30min, peguei o meu embornal, já com o caderno encapado com “papel de embrulhar pão”, lápis dotado de borracha em uma das pontas, um pedaço de “gilete” para apontá-lo, meio pão dormido e ganhei a soleira da porta. “Bença pai, bença mãe”... Era o meu primeiro dia na escola.

Desci o terreiro, atravessei a pinguela em frente à minha casa - no começo da Avenida Ana Pena de Faria -, peguei uma vareta de taboa e comecei a espalhar paina pelo caminho, até a subida da antiga Avenida São José... Subida íngreme, por uma trilha feita no pasto... Do alto, na virada para a parte mais habitada, pude ver o “Colégio das Irmãs”, ponto final do meu destino, naquele dia...   

Um frio na barriga, contrastando com o suor da cabeça, coroada com um topete...

Assim como os demais alunos, fui recebido na porta, pela diretora, professores e funcionários. Cantamos, enfileirados no pátio, os hinos do Brasil e da escola. Pequeno, magro e de olhar assustado, fui o primeiro da fila e subi em direção à sala de aula, de mãos dadas com aquela pessoa que faria toda a diferença na minha maneira de lidar com a educação, com as pessoas e com o social, complementando os ricos ensinamentos recebidos de meus pais.

E foi, assim, que eu conheci D. Agripina... Há exatos quarenta e oito anos.  Lembro-me, como se fosse hoje, da professora de porte pequeno, aparentemente frágil, mas, forte como uma rocha, de fala dócil e firme, pedindo-me para ler para os demais, incentivando-me à leitura e a contar histórias...

Leitura... Incentivo à identificação das letras, das palavras e sua relação com o som, levando-nos ao testemunho oral da palavra escrita...

Histórias... Incentivo aos relatos inventados, verdadeiros, narrativos e, às vezes, científicos, levando-nos ao desenvolvimento da criatividade e ao aprendizado com as histórias... 

Ela me fez gostar do livro e da leitura...

Ela me fez gostar de escrever e de contar histórias...

Então, caro leitor, vou lhe contar uma história, das boas. História verdadeira, acontecida há um bocado de tempo. Do tempo em que ela começou, e aí já se vão mais de oitenta e um anos... Para falar a verdade, em poucos dias, essa história completará oitenta e dois anos... Prepare-se que o “causo” é bom e a prosa é boa.

Crepúsculo... Não sei se era noite, não sei se era dia, só sei que era a hora da Ave Maria. Decerto, estava frio... Bem frio... Como bem convém a todo mês de junho que se preze nas bandas do Leste de Minas Gerais, sobretudo naquela fazenda do Povoado Senhor Bom Jesus, antigo distrito do Galho, localizado às margens do Ribeirão Sacramento, hoje, município de Bom Jesus do Galho.

Com o sol indo embora e a lua chegando, o orvalho enfeitando as folhas do capim gordura e a fumaça denunciando as atividades do fogão à lenha, Maria da Conceição Baptista de Souza pôs fim à ansiedade de Joaquim de Souza Caixeiro trazendo ao mundo, no dia 23 de junho de 1931, uma linda menina, registrada e batizada com o nome de Agripina Baptista de Souza. 

O entendimento de Joaquim de que “o estudo é a melhor herança que o pai pode deixar para o filho” e a determinação de Maria em lhe ensinar a ler, escrever e dominar as quatro operações matemáticas encontrou solo fértil na doce Agripina...

Infância pobre, mas feliz!

Aos nove anos, já morando em Caratinga, vendia os doces produzidos em casa e, assim, ajudava os pais no custeio dos seus estudos no Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, depois, no Ginásio Caratinga e, por último, no Colégio Nossa Senhora do Carmo...

Colégio do Carmo... Referência na formação de normalistas... Normalistas que roubavam a cena nos desfiles cívicos, com seus uniformes impecáveis, usando luvas brancas e boinas pretas, conduzindo bandeiras ao som da melhor bateria da cidade...

Foi no Colégio do Carmo, em dezembro de 1950, que Agripina se formou. Mais dois meses e já estava trabalhando em Santa Rita de Minas driblando, por mais de quatro anos, a falta do transporte coletivo através das caronas nas boleias dos caminhões, em infindáveis idas e vindas, na companhia de Astir de Souza Sant’Anna, sua irmã e inseparável amiga.

O ano de 1955 foi mais que especial para a moçoila e para a professora: um novo emprego e um casamento! Deixou Santa Rita e transferiu-se para o Grupo Escolar Menino Jesus de Praga, em Caratinga, hoje uma Escola Estadual, da qual foi co-fundadora juntamente com as Irmãs carmelitas e casou-se com Manoel Jacintho Rodrigues, com quem teve sete filhos: Maria do Carmo, Gonçalo Márcio (falecido), Flávio Emanuel, Elizabeth Luisa, Glauco Eymard, Manoel Jacinto e Edson Antônio, um natimorto.

Uma bela prole que já lhe presenteou com adoráveis netos: Renata, Ludimila, Rachel, Pedro Henrique, Mônica, Luiza, Júlia, Flávia e Lívia, além da pequena Maria Luiza, sua bisneta.

Da escola que ajudou a fundar foi professora e diretora. Lecionou em várias séries, mas gostava mesmo era de alfabetizar, de ensinar os iniciantes a ler e escrever... Gostava de ver o brilho nos olhos que faziam as letras, as palavras e as histórias deixarem o papel e brotarem da boca do pequeno leitor...

Em 1968, com a criançada ainda nova, ficou viúva... Momentos muito difíceis vieram... E foi na família, com o apoio dos pais e de sua estimada irmã, que foi buscar forças para vencer os obstáculos e criar os rebentos. E, aquilo que fazia com os seus alunos – de forma colaborativa com a família -, aplicou integralmente na formação de seus filhos, estimulando-os ao estudo, à leitura, à criação e narração de histórias, ao amor a Deus e ao próximo...

Foram trinta e três anos de trabalho dedicados à educação... E eu tive o prazer de ser seu aluno por um ano... Um magnífico ano... Um ano que, certamente, foi decisivo para a minha trajetória acadêmica, para o meu trabalho e para algumas das coisas que mais gosto de fazer: ministrar aulas, fazer palestras, ler e escrever...

Caro leitor, essa é a história de quem me incentivou a ler e a contar histórias... Esta é a história de uma mulher doce, abençoada, iluminada e amada!

São, exatamente, 17h00min de terça-feira, dia 21 de maio de 2013. No momento em que termino este texto, para publicação no domingo próximo, recebo a ligação da Darly informando-me do falecimento e sepultamento de Astir, a irmã inseparável de D. Agripina...

Caro leitor, essa é a história de uma mulher que, hoje, está muito triste... Mas, que aprenderá a conviver também com mais esta dor da vida... Porque é abençoada, iluminada e amada. Eu te amo querida mestra. Minha primeira professora... Minha madrinha de primeira comunhão. 

Muito obrigado por fazer parte da minha história e por ser, de alguma forma, parte da sua história.

Parte da história da Doce Agripina... 



Escrito por Prof. Eugênio às 16h07
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CORTEJO FÚNEBRE EM UM TRÂNSITO CAÓTICO

CORTEJO FÚNEBRE EM UM TRÂNSITO CAÓTICO


No Brasil, o atual costume de se fazer um cortejo nos féretros tem muito a ver com o momento histórico em que os corpos deixaram de ser sepultados e passaram a ser enterrados.  É que, até o início do século XVIII, com exceção para os negros e índios, os corpos das pessoas eram sepultados nas igrejas, ou seja, eram colocados em sepulcros. O enterro – ato de enterrar, de colocar o corpo em cova rasa, era destinado apenas aos escravos e aos índios.

            Não obstante a quantidade de igrejas existentes neste período, chegou um momento em que começaram a faltar igrejas para sepultar tantos mortos, principalmente em função de algumas doenças que acabaram por proliferar no sujo, anti-higiênico e propício cenário dos períodos colonial e imperial.

            E, em pouco tempo, tornou-se premente a necessidade do desenvolvimento de outros espaços para os sepultamentos e, eventualmente, para os enterros, criando-se, assim, o conceito dos cemitérios, na forma como o conhecemos hoje.

            E, em cemitérios, realizam-se sepultamentos e enterros...

            E, o morto, que antes era enterrado, ou sepultado no mesmo local onde era velado, passou a ser deslocado para outro local no momento final de seu descanso, seguido por amigos, parentes e, como não pode faltar em um bom féretro, alguns curiosos.

            O cortejo fúnebre, inicialmente, era feito a pé, até porque o automóvel, ainda, não havia sido inventado e os cemitérios eram construídos próximos às igrejas. A utilização de veículos, motorizados ou movidos por tração animal, nos cortejos, efetivou-se a partir do momento em que os cemitérios foram sendo construídos em pontos mais distantes dos locais dos velórios.

            Em algumas cidades do interior de Minas, ainda hoje, os cortejos são feitos a pé, com as pessoas conduzindo o ente querido, pelas ruas, ao som dos sinos das igrejas...

            Na maioria das grandes cidades brasileiras, as mais cosmopolitas, os cortejos continuam a serem feitos a pé, já que possuem dezenas de cemitérios dotados de capelas-velório. Nessas cidades, as pessoas são avisadas dos locais dos velórios, os quais podem ocorrer em pontos muito distantes da área residencial de onde o morto residia e de onde moram os seus familiares. E o procedimento de velar o ente querido ocorre com as mesmas características dos velórios do interior, com algumas pessoas fazendo uma visita e retornando para o sepultamento e com outras, permanecendo por um tempo mais prolongado junto aos familiares...

            Nestas cidades, os cortejos pelas ruas ficaram reservados aos mortos que, em vida, foram famosos e muito representativos para a população do lugar...

Em muitas cidades menores, que não possuem uma boa estrutura destinada aos velórios e sepultamentos, presente nas cidades de porte maior, é comum o cortejo fúnebre, por automóveis, mas que não causam problemas significativos ao trânsito, em função de uma menor quantidade de carros nas ruas, do tamanho de suas vias e por terem o mínimo de organização no trânsito.

            Em outras, como ocorre em Caratinga, os cortejos são feitos, em sua maioria, com a utilização de automóveis, variam em tamanho de acordo com algumas particularidades relacionadas ao morto, à sua família e ao horário em que o sepultamento, ou enterro, é realizado... Se o momento final da presença do morto ocorrer em horários próximos do início do trabalho, do almoço ou do final do expediente, terá mais chance de contar com a presença de mais pessoas... Ou seja, via de regra, cortejo em Caratinga é sinônimo de caos no trânsito.

            E Caratinga vem, ao longo de muitos anos, fazendo os seus cortejos fúnebres através de veículos, que atravessam a cidade, comprometem o trânsito, a produtividade, causam transtornos aos que perderam seus entes queridos, aos que acompanham e assistem aos familiares e, também, aos que não têm nada com isso... Tudo por conta da falta de uma estrutura adequada, tanto para os velórios, quanto para os sepultamentos... Ou seja, a cidade que ainda não tem uma capela velório, também não tem um cemitério adequado...

            E, ao que parece, a capela velório, por fim, sairá do papel. Uma pena que não tenha sido adaptada no prédio onde funcionou a cadeia, próxima ao cemitério... De toda sorte, é preferível ser construída no terreno que lhe foi destinado do que não tê-la e manter o quadro, vergonhoso, de sua inexistência na cidade... Mas, os cortejos continuarão a atravessar a cidade, a serem marcados em horário de rush, a provocar o caos no trânsito e a complicar a vida de todos... ‘

            Marcar o sepultamento, ou enterro, para horários mais adequados, que causem menor impacto ao nosso, já caótico, trânsito? Não fazer o cortejo, pelo menos nos moldes do modelo existente, com todos os carros acompanhando, em marcha lenta, o carro funerário? Enfim,  alguma adaptação precisaremos fazer...



Escrito por Prof. Eugênio às 15h58
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AMOR SEM MEDIDA

                                                             AMOR SEM MEDIDA


Você, que tem a pele negra, branca, parda, amarela... Você que tem os cabelos negros, loiros, grisalhos, brancos, vermelhos, crespos, lisos, cacheados ou, simplesmente, não os tem... Eu te amo meu filho!

Você, que se orienta espiritualmente pelo Cristianismo, pelo Judaísmo, Islamismo, Espiritismo, Confucionismo, Taoísmo, Budismo, Hinduísmo, por tantos outros “ismos” ou, então, que se identifica com o Agnosticismo ou com o Ateísmo... Eu te amo, meu filho! 

Você, administrador, engenheiro, advogado, médico, dentista, borracheiro, professor, eletricista, jornalista, escriturário, policial, jurista, motorista, pedreiro, pintor, fisioterapeuta, enfermeiro, encanador, serralheiro, agricultor, secretário, carregador, lavador, vigia, empresário, servente, político, balconista, farmacêutico, serralheiro, comerciante, marceneiro, cozinheiro, publicitário, garçom, banqueiro, pipoqueiro, bancário, vendedor, empregado, aposentado, afastado ou desempregado... Eu te amo, meu filho!

Você, estudado, culto, analfabeto, inculto, orador, tímido, gentil, áspero, sonhador, organizado, desorganizado, espaçoso, criativo, motivado, flexível, desmotivado, inflexível, emotivo, equilibrado, rude, desequilibrado, aglutinador, responsável, repetitivo, articulador, sociável, desarticulador, controverso, líder, disciplinado, competente, indisciplinado, profissional, incompetente... Eu te amo, meu filho!

Você, casado, solteiro, separado, viúvo, divorciado, amigado, namorado, amasiado, assexual, heterossexual, homossexual, bissexual ou pansexual... Eu te amo, meu filho!

Você, trabalhador, preguiçoso, honesto, marginal, virtuoso, viciado, rico, pobre, miserável, andarilho, presidiário, sarcástico, corrupto, pernóstico, corruptor, faminto, indeciso, acomodado, honesto, ladrão, caridoso, desonesto, mexeriqueiro, inútil, habilidoso, fofoqueiro, prudente, justo, amoroso, carinhoso, cuidadoso, frio, calculista... Eu te amo, meu filho!

Mais que uma fala, sabemos, este é o sentimento que habita o coração das mães. Mãe é assim: ama o seu filho, sempre, seja ele como for. Ela ama sua cria, independente de como ela se apresenta ou, então, sem condicionar o amor ao resultado final daquilo em que a cria tenha se transformado. Ela ama e pronto!

O amor de mãe reflete o amor de Deus, naquela forma que mais nos agrada imaginá-lo: um amor que abomina o pecado, mas ama o pecador... Que ataca o erro, mas protege o errante... Amor que acolhe, abraça e abriga a sua criatura, a cada vez que ela o procura... É claro que a mãe desejará, sempre, que o filho tenha todas as virtudes, receba o melhor retorno por suas boas ações e seja uma pessoa completamente realizada. No entanto, mesmo que isso não ocorra, ele sempre será amado, acolhido, abraçado e abrigado por ela...

Porque mãe é assim... Ela ama e pronto! Ela ama, simplesmente, sem explicações ou justificativas... Simples assim!

Amor de mãe é eterno, sem medida, sem permuta... Amor sem exigências!

Amor que objetiva, apenas, a felicidade de quem é amado. Não é por menos que o nosso poeta Carlos Drummond de Andrade rogou para que ela fosse eterna, que não morresse jamais...

Mães são anjos de carne e osso, a velar nossos passos, a embalar nossos sonhos...

Mães são anjos de Deus, na terra!

Que consigamos, então, fazer de tudo para que elas, também, sejam felizes, já que é crível que, mesmo nos amando, sem medida e sem exigências, tornam-se tristes quando nos percebem infelizes...

Sejamos felizes então!


Sejamos felizes, para que, através da nossa felicidade, possamos proporcionar felicidade a elas! Sejamos felizes, então, para que nosso sorriso de felicidade ilumine os olhos daquelas que, por amor, são capazes dos maiores sacrifícios, das maiores doações, sem nada pedir, sem nada esperar... Desejando apenas, do fundo de seus corações, que simplesmente, sejamos felizes...



Escrito por Prof. Eugênio às 15h57
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